terça-feira, 13 de novembro de 2018

Capítulo 2 - Um pequeno empurrão

Notas iniciais:

Um beijão para a querida Mayuri, que me pediu pra escrever mais sobre esse casal, me inspirando a escrever essa fic!


Capítulo 2 - Um pequeno empurrão


Algumas semanas haviam se passado. O Starish tinha um show marcado pra daqui a algumas semanas, portanto a rotina de ensaios ficara longa e cansativa. Com o cansaço acumulado, o Ichinose não sonhava mais com coisa alguma, para seu grande alívio. Não que isso o impedisse de pensar em Otoya quando estava acordado. Ele queria muito poder fazer algo a respeito disso, mas o ruivo invadia seus pensamentos quando ele menos esperava, fazendo-o perder a concentração no que quer que estivesse fazendo.
Aquele seria mais um dia intenso de ensaios. Levantara cedo e fora direto para o chuveiro, onde demorou mais do que o de costume. Culpa da sua constante falta de foco.
Enquanto se banhava, a porta de seu apartamento se abriu e os cinco membros restantes do Starish entraram sorrateiramente. O último a entrar fechou a porta lentamente. Assim que o clique suave se fez ouvir, puderam escutar o barulho do chuveiro e se entreolharam. Imediatamente, iniciaram uma busca por toda a sala, sem saberem ao certo o que estavam procurando.
Passados alguns minutos, Masato chamou a atenção de todos. Em seus dedos havia um objeto fino e comprido. Todos se reuniram em volta dele.
- Um... cigarro? - Sussurrou Syo, confuso. - Ele não fuma!
- É um cigarro eletrônico.
- E pelo visto, sem cheiro. - Concluiu Ren, ao perceber que o local não tinha qualquer cheiro de tabaco.
- Por isso nunca percebemos. - Continuou Cecil.
Masato depositou o objeto no mesmo lugar que havia pego e continuou procurando por mais alguma coisa que não deveria estar ali. Em cima da mesa de centro, estava seu celular. Natsuki o encontrou e o desbloqueou. Tokiya nem sequer sonhava que ele sabia a sua senha, e o Shinomiya preferia que continuasse assim. Quando a tela principal se revelou, Natsuki a admirou por um tempo. Um sorriso nostálgico se formou em seu rosto ao reconhecer a figura sorridente na foto. A cabeleira ruiva emoldurava seu rosto e o ícone do WhatsApp havia sido colocado cuidadosamente de modo que não o cobrisse.
Cecil parou atrás dele, olhando sob seu ombro.
- Ele ainda usa a mesma foto.
- Isso é tão triste, não é? - O loiro devolveu o celular ao seu local de origem. - Ter acabado desse jeito.
- Será que não podemos fazer nada?
- O que vocês estão fazendo aqui? - Perguntou indignado o Ichinose, ao sair do banheiro só com a toalha enrolada na cintura.
Os cinco rapazes suprimiram um grito de susto. Apuraram os ouvidos e perceberam que o chuveiro ainda estava ligado. Com certeza Tokiya o deixara ligado de propósito, para que não notassem que ele tinha percebido os intrusos. Deviam ter feito algum barulho que o alarmou.
- Isso é invasão, sabiam? - Continuou enquanto retornava ao banheiro e desligava o chuveiro.
- Nós viemos te buscar para o ensaio. - Masato disse a primeira coisa que veio à sua mente. Os outros quatro bateram na testa, balançando as cabeças negativamente. Todos eles sabiam que Tokiya jamais acreditaria naquela desculpa.
- Eu tenho carro, sabiam? - Voltou à sala, dessa vez já vestido. Cruzou os braços aborrecido. Seus olhos percorreram o aposento e passaram discretamente por onde ele sabia que seu cigarro estava. Ao perceber que ele estava bem visível, seu coração saltou.
- Bom, - Continuou Ren, tentando consertar o que Masato começara. - nós pensamos que-
- Não importa. - Tokiya o cortou. Os outros se olharam, percebendo seu nervosismo repentino. - Já que estão aqui, vou deixar meu carro em casa.
Pegou seu celular, sem imaginar que os colegas viram que ele ainda mantinha a foto de Otoya, e os empurrou para fora sem qualquer delicadeza.
Já no estúdio, a hora do intervalo demorou décadas para chegar. Exaustos, os 6 foram até o refeitório, onde almoçariam antes de retornar ao ensaio. Haruka já estava lá.
- Gente, - Começou Cecil. – Eu queria muito a opinião de vocês sobre uma coisa.
Os outros seis olharam curiosos para ele.
- Diga. – Ren lhe deu a permissão.
- Se, hipoteticamente falando, eu tivesse curiosidade de experimentar uma coisa, e escondesse de vocês, se um dia vocês encontrassem essa coisa, ficariam bravos comigo?
- Por que a pergunta? – Estranhou Natsuki.
- O que você tem vontade de experimentar? – Indagou Masato.
- Um cigarro.
Tokiya se engasgou com seu suco de laranja. Todos correram para acudi-lo.
- O que você disse? – Perguntou incrédulo o Ichinose.
- Que eu tenho vontade de experimentar, quero saber o que vocês acham disso.
- Ah, não sei. – Começou Syo – Eu acho que você não precisaria esconder da gente.
- E não precisaria ter vergonha se nós descobríssemos um dia. – Continuou Natsuki.
Haruka olhava desconcertada de um para outro, aflita. Ela os conhecia muito bem, sabia que estavam escondendo algo e que aquilo acabaria em discussão de algum modo.
- Se for só pra desestressar, eu recomendaria um eletrônico, que tem menos toxinas que um normal. – Recomendou Ren.
- E sem cheiro. – Completou Masato.
- O que você acha, Tokiya? – Perguntou Cecil, ao mesmo tempo que todos olharam para ele inquisidoramente.
O Ichinose fechou a cara.
- Eu acho que vocês são uns intrometidos. A opinião de vocês sobre isso não me importa, até porque, isso não diz respeito a nenhum de vocês.
- Claro que não. Diz respeito à Otoya. – Cecil confrontou-o.
Os dois se levantaram, se encarando.
- Pessoal, não briguem. – Interveio Haruka.
- Eu vou falar isso só uma vez, Aijima. – Avisou Tokiya. – Não se metam na minha vida.
- Nós vamos nos meter quando acharmos que isso pode nos afetar também. – O Aijima o desafiou.
Tokiya deu as costas a todos, indo em direção à saída do refeitório.
- Você não quer saber como ele está? – Perguntou Cecil, em voz alta. O Ichinose parou. – O agente dele nos ligou ontem.
Ele ficou em silêncio por muito tempo. Até que disse.
- Não me importa, ele fez a escolha dele. – E saiu.
oOo
Era domingo, o único dia da semana que não havia qualquer tipo de ensaio. Era de se esperar que Otoya quisesse sair, passear ou ter qualquer outro tipo de lazer. Mas às 10 da manhã, ele ainda estava debaixo das cobertas, vestido com seu pijama e assim queria ficar o dia todo. Culpa de seu maldito sonho, que o fizera acordar às 2 da madrugada e o impedira de dormir o resto da noite. Ao invés disso, o sono dera lugar à aflição.
Sonhou que finalmente voltara para a casa de Tokiya, só para descobrir que havia outra pessoa em seu lugar.
Ele sabia que isso era bem provável que acontecesse. Só de pensar nisso, seus olhos vermelhos e inchados novamente se enchiam de lágrimas, que escapavam pelo canto de seus olhos e umedeciam seu travesseiro. Soltando um soluço, puxou a coberta para cima de sua cabeça, até que esta a cobrisse por completo. Ali ele ficou, até que o oxigênio se dissipasse e ele precisasse de mais.
Não soube dizer em que momento ele cochilou, mas acordou assustado com alguém batendo à sua porta. Por alguns minutos o susto o fizera esquecer de onde estava. Ao olhar para o relógio, constatou que já passava do meio-dia e ele procurou em sua mente algum compromisso que pudesse ter esquecido. Como não pode se lembrar de nada que tivesse marcado com alguém, resolveu que não atenderia à pessoa que batia insistentemente em sua porta, pois ele sabia que seu estado era lastimável, e não era necessário se olhar no espelho para saber disso. Até que a pessoa falou.
- Otoya, nós sabemos que você está aí!
Era ninguém menos que Ren Jinguji. O que ele estaria fazendo ali? E... espera, ele disse "nós"? Otoya correu para a porta e escancarou-a. Ren, Masato, Syo, Cecil e Natsuki estavam ali, e o olharam boquiabertos, devido à sua aparência.
- Vocês...!
O ruivo esfregou os olhos, pensando se tratar de uma miragem, mas ao abri-los novamente, eles continuavam ali, de pé na sua frente. Seus olhos, que há muito tempo haviam se apagado, iluminaram-se. Um a um, todos abraçaram Otoya. Em seu rosto, fez-se um largo sorriso que hoje em dia raramente era visto. Quando abraçou o último, esticou o pescoço, esperançoso, procurando a pessoa que faltava.
A decepção apagou novamente seu olhar, quando ele percebeu o quão idiota havia sido.
- Ele não veio, não é? - Tentou disfarçar, sem sucesso, a tristeza em sua voz.
- Ele não sabe que viemos. - Justificou Cecil.
- Acho que não faria diferença se soubesse.
Deu meia volta e entrou novamente no apartamento, segurando a porta aberta em um claro convite para que os outros entrassem.
- E a Nanami?
- Preferiu ficar, pra que ele não desconfiasse que viemos.
Ele queria que os amigos tivessem escolhido um dia melhor para visitá-lo. As cortinas fechadas em um pleno dia ensolarado deixavam a casa abafada e com aspecto de abandono.
- Desculpem por... - Otoya abriu os braços, olhando ao redor. - bom, pela bagunça em geral.
- Não leve a mal, mas a sua casa tem cheiro de... - Começou Syo, sem saber como terminar.
- De quem não tomou banho. - Completou Ren.
Otoya franziu o cenho.
- Eu tomei banho.
- Quando? - Indagou Masato.
- Ontem...
Os cinco homens olharam fixamente para ele com as cabeças levemente inclinadas, aquele tipo de olhar de quem sabe que você está mentindo.
- ...de manhã. - O olhar fixo dos cinco continuou sobre ele. - Ah! Tá bom! Eu ensaiei a tarde toda ontem! - Confessou. - Agora parem de me olhar desse jeito.
- Argh! - Fizeram os outros.
- Ok! - Cecil bateu uma mão na outra, assustando todos. - Vamos pôr essa casa em ordem. Você! - Apontou para Otoya e em seguida para a porta que ele julgou ser do banheiro. - Vá tomar banho! Masato, abra as cortinas. Ren, procure uma vassoura por aí, esse chão está imundo. Natsuki, dá uma geral naquele quarto. Eu fico com a cozinha.
Masato o olhou com uma sobrancelha erguida.
- Quem morreu e te nomeou o chefe? - O Aijima lhe deu língua.
Todos começaram a se mexer deixando um confuso Otoya parado no meio da sala. Quando conseguiu processar tudo que acontecera ali, foi até seu quarto, pegou uma muda de roupas limpas e uma toalha. Observou Natsuki enquanto este arrumava sua cama, e disfarçadamente, pegou uma gilete que estava em seu criado mudo.
- Otoya! – Ren lhe chamou quando ele passava pela sala em direção ao banheiro, lhe dando um grande susto.
- O que foi? – Perguntou, com o coração aos pulos.
-  Por favor, me diga que nós não vamos encontrar nenhum tipo de droga por aqui.
- Vocês não vão encontrar nenhum tipo de droga aqui.
O Jinguji apenas acenou com a cabeça, mas o alívio era visível em seus olhos.
Otoya entrou no banheiro e trancou a porta, pegou um pedaço de papel higiênico e embrulhou o pequeno objeto em suas mãos, em seguida jogou-o no lixo.
Respirando aliviado, retirou a parte de cima do pijama. Em seu antebraço haviam inúmeros cortezinhos, vermelhos e levemente inchados, marcas que ele fizera em si mesmo na noite anterior. Apesar do aspecto feio, ele não sentia nenhuma dor. Ele já havia se acostumado com ela, pois essa dor física era mil vezes menor que sua dor interior.
O ruivo tocou as feridas, correndo seus dedos pelo braço até chegar ao pulso, onde havia uma fina linha branca, já cicatrizada. Ele fechou os olhos, pedindo desculpas aos amigos pelo que havia tentado fazer.
Enquanto isso, na cozinha, Cecil olhava com desespero para a pia.
- Jesus! – Exclamou.
Havia muita louça acumulada, mas ele reparou que não havia sequer uma panela ou prato sujo de comida, apenas copos e mais copos de café. Isso era preocupante.
- Achou alguma coisa suspeita por aí? – Indagou Masato.
- Bem, se você achar suspeito o fato de não ter nenhum prato sujo, mas sim um monte de copos de café, então sim.
Masato se aproximou da pia. Franziu o cenho e, sem dizer nada, abriu os armários da cozinha. Havia pouquíssima comida.
- Hum... Ele não está se alimentando direito, aposto.
- Parece que ele está vivendo só de café.
- Precisamos abrir os olhos dele. Ele está se matando aos poucos! Vou falar com o pessoal. - E saiu.
Quando Cecil terminou de lavar a louça, os outros já estavam reunidos na sala.
- Achamos que ele está com depressão. – Começou Natsuki.
- Isso combina com o que o agente dele nos disse. – O Aijima se sentou ao lado de Syo.
- O que nós vamos fazer? – Indagou o loiro. Quem respondeu foi Ren.
- Não vai adiantar tentar protegê-lo e fazermos de conta que não sabemos de nada. Vamos ter que ser mais duros com ele.
- Isso não vai ser pior? – Perguntou Masato. – Quer dizer, se ele está com depressão, vai precisar de amigos.
Ren suspirou.
- Eu sei. Mas se não for assim, ele nunca vai se abrir para nós. Eu sei que é difícil, mas precisamos fazer isso por ele.
- Eu entendo, mas ainda não gosto disso.
O Jinguji pegou em sua mão. A expressão dos outros dizia que todos concordavam com o Hijirikawa.
- Ele não está demorando muito? – Estranhou o Kurusu.
Mas assim que terminou a frase, Otoya saiu do banheiro, como se tivesse lido seus pensamentos. O ruivo olhou surpreso ao redor. Era como se estivesse em outro apartamento, muito mais arrumado e acolhedor do que estava acostumado. Há muito tempo não via sua casa assim. Lembrava-se que no começo costumava arrumá-la praticamente todos os dias antes de sair, mas conforme o tempo foi passando, ele foi tendo cada vez menos vontade de fazer isso.
- Obrigado por tudo que fizeram. – Se curvou para os amigos e saiu até a varanda, estendendo a tolha no sol radiante.
Os cinco amigos se entreolharam, nervosos. Era a hora da verdade. Quem começou foi Syo.
- Não está com calor, Otoya? – O ruivo usava uma camiseta de manga comprida, para esconder as marcas em seus braços.
- Não. – Respondeu. Quando Otoya sentou em um dos sofás, Cecil se sentou ao seu lado, passando um braço sob seus ombros.
- Otoya, tem uma coisa que nós queríamos te perguntar.
- Hum?
Repentinamente, o Aijima segurou seu braço direito com força e puxou a manga da camiseta para cima.
- O que é isso? – Perguntou com a voz dura.
Aterrorizado, Otoya puxou seu braço com violência, saindo de perto de Cecil e abaixando a manga imediatamente. Mas era tarde demais, ele podia ver pelo rosto de todos que eles tinham visto o que ele escondia.
- Não...! Como...? – Indagou confuso.
- Seu agente pediu a nossa ajuda, Otoya. Ele estava desesperado e nos contou o que você fez. – Continuou Ren. Todos os outros se levantaram e encararam Otoya com seriedade.
- Por quê? – Perguntou Syo.
- Podia ter pedido nossa ajuda. – Solidarizou-se Natsuki.
- Vocês não entendem... – Otoya parecia perdido. – Não entendem!
- Tem razão. – Era a vez de Masato. – Não entendemos como alguém tão cheio de vida como você pode tentar se matar!
Os olhos amedrontados do Ittoki se encheram de lágrimas e a primeira transbordou sem demora.
- Eu não vou... – Um soluço escapou de sua garganta. – Eu não vou admitir que me julguem!! – Gritou. – Vocês não sabem como eu me sinto, não entendem a minha dor!!
- Otoya-
- Acham que podem me ajudar!? Vocês não podem! VÃO EMBORA!!!!
Ele recuou, entrou no quarto e se trancou. Do lado de fora, os amigos ficaram encarando a porta fechada de seu quarto, com um sentimento de derrota no peito. Mas Cecil recusava-se a desistir. Tinha que trazer Otoya, a quem considerava um irmão, de volta à vida.
- OTOYA! ABRE ESSA PORTA AGORA! – Ele batia com força na porta, pronto para derrubá-la a qualquer instante.
- Cecil. – Chamou Natsuki. – Será que isso ajuda? – Ele estendeu um molho de chaves, que o Aijima pegou sem demora. Testou uma por uma até encontrar a que abriria a porta.
Otoya estava completamente debaixo das cobertas.
- Vão embora!! – Ordenou novamente. Estava com vergonha de encará-los.
- Mas que caralho!! – Esbravejou o Aijima. – Será que dá pra você ouvir o que nós queremos dizer??
Assustado com a explosão repentina do amigo, Otoya baixou a coberta até que essa mostrasse apenas os seus olhos, onde duas pequenas lágrimas escorreram.
- Ninguém está aqui para te julgar! Nós só queremos te ajudar!!
- Vocês não podem!
- Podemos se você deixar! Otoya, Tokiya está definhando como você. Ele também precisa de ajuda. Da sua ajuda!
À menção daquele nome, Otoya finalmente sentou-se.
- T-Tokiya? O que ele tem?
- O que você acha? – Dessa vez, foi Ren quem falou. – Ele nunca mais foi o mesmo desde que você foi embora, mas agora, ele está muito pior. Não consegue se concentrar nos ensaios, chega atrasado, erra nos shows. A agência está perdendo a paciência com ele. Temos medo que ele seja expulso do Starish.
- Não! Não podem fazer isso!
Otoya desesperou-se. Tokiya agia assim por sua causa? Se sentindo sufocado, colocou as mãos na cabeça, soluçando alto. Era muita pressão pra ele suportar. Não bastasse sua própria carreira estar indo por água abaixo, ele não podia suportar o fato de ter prejudicado o Ichinose, mesmo que indiretamente.
- Você pode ajudá-lo. – Syo sentou-se do seu lado, colocando uma mão suavemente em seu ombro.
- Não posso... Não posso voltar... – Ele estava à beira do pânico. Por que seus amigos não entendiam?
- Por que não pode?
- Porque... ele não vai me aceitar...
- Por que você acha isso?
Otoya precisou esperar que o acesso de choro parasse antes de responder.
- Quando eu fui embora... ele me disse que... – A dor da lembrança fez novas lágrimas escorrerem. – Me disse que eu se eu voltasse, ele não me aceitaria outra vez. Que, se eu fosse embora, aquela seria a última vez que nos veríamos.
Os amigos trocaram um olhar compreensivo. Agora entendiam porque ele nunca mais voltara.
- Quando eu fiz isso... – Tocou a cicatriz branca em seus pulsos. – Foi o dia que eu decidi que não podia mais suportar viver longe dele. Eu sei que vocês acham esse motivo idiota, dá pra ver na cara de vocês. – Ele enxugou as lágrimas, enquanto os outros cinco trocavam olhares culpados. – Mas eu não tive sorte... Meu agente me encontrou quando eu perdi os sentidos e me levou pro hospital. Não era tarde demais, e os médicos conseguiram reverter o meu quadro.
- Como você escondeu isso da mídia? – Quis saber Syo.
- Ah, eu tive que desembolsar alguns mil dólares. – Todos exclamaram, surpresos. – Bom, depois eu tive que ouvir um sermão daqueles do meu agente.
- Eu não entendo uma coisa. – Interrompeu Masato. – Se você estava tão mal por estar longe de Tokiya, não era muito mais fácil ter voltado? Mesmo que ele tenha dito que não iria te aceitar, você não podia tentar a sorte?
O queixo do ruivo tremeu.
- Eu tinha medo... Eu ainda tenho medo.
- Medo de quê? – Encorajou Cecil.
- De voltar, e ver que ele continuou a vida dele sem mim. Medo de voltar e encontrar outra pessoa no meu lugar.
- Não tem outra pessoa. – Garantiu Natsuki.
- Como você sabe? Ele sabe esconder segredos muito bem.
- Otoya tem certa razão. – Concordou Masato. – Lembram do dia que investigamos o apartamento dele? Do que encontramos lá? Não sabemos há quanto tempo isso vem acontecendo, sem que soubéssemos de nada.
- Masa, você não está ajudando. – Ren censurou-o.
Masato o olhou aborrecido e saiu do quarto.
- O que vocês encontraram? – Quis saber Otoya.
- Um cigarro. – Respondeu Cecil. – Não sabemos há quanto tempo ele vem fumando escondido.
- Mas... – Otoya ficou confuso. – Ele sempre repudiou essas coisas...
- Pois é...
- E como vocês não perceberam? Isso não é uma coisa que dá pra esconder. É tipo comer mexerica, não dá pra fazer escondido.
Ren suspirou.
- O cigarro que encontramos era eletrônico e sem cheiro.
O ruivo engoliu com dificuldade.
- Podem me deixar sozinho?
Todos assentiram e saíram sem dizer nada.
Otoya deitou-se de costas na cama, passando as mãos no rosto. Não podia acreditar naquilo, o que Tokiya achava que estava fazendo com a vida dele? Ele saíra do Starish para dar estabilidade à banda, para que as brigas acabassem, não para que Tokiya acabasse com sua carreira como ele mesmo fizera.
Sentia raiva de si mesmo. Como pudera ser tão egoísta ao pensar que só ele estava sofrendo? Ergueu as mangas, olhando as marcas em seus braços. Fazia aquilo em si mesmo para aliviar a dor e angústia que sentia, mas de repente, algo assustador passou em sua mente. E se, por acaso, Tokiya fizesse o mesmo? E se ele também se mutilasse para poder suportar a saudade e a solidão?
- Não!!
Gritou, sentando-se de repente. Tokiya não podia fazer aquilo consigo mesmo. Ao contrário dele, Tokiya não estava sozinho. Suas ações não afetariam apenas ele, mas sim os amigos e colegas de banda.
Na sala, Masato olhava a rua pela janela. Ren se aproximou e abraçou seus ombros.
- Me desculpe. - O Hijirikawa apenas pousou a cabeça em seu ombro.
Muitas horas se passaram. Já eram quase 5 da tarde quando Otoya finalmente saiu do quarto. Havia algo diferente em seu olhar.
- Eu preciso de ajuda.
Os cinco correram, aliviados, e o abraçaram ao mesmo tempo.


Notas finais:

Quem ler atentamente perceberá um easter egg nesse capítulo XD
Eu sei que eu estou abordando um tema muito delicado, ainda mais depois de 13 reasons why, e espero ter sido coerente com o que é realmente passar por isso (já que eu nunca passei por isso, não tenho com o que me basear)
Espero que possam dar sua opinião sobre o capítulo, seja ela positiva ou não.
Beijos de chocolate <3

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