Um agradecimento especial à querida Mayuri-chan, minha stalker super fofa <3 Quem diria que, ao te oferecer uma fanfic como presente de aniversário, eu ia ganhar em troca esse presente tão especial que é a sua amizade. Obrigada pelo apoio e por sempre lembrar de mim, mesmo com a sua rotina tão corrida <3
Cheeeeega de papo!!!! Boa leitura!!
Capítulo 3 - Surpresa no meio da noite
Já era noite quando Tokiya chegou
em casa. Entrou, trancou a porta e jogou suas chaves na mesa de centro.
Seguiu-se um barulho estridente, quando o metal retiniu contra o vidro. Retirou
o casaco umedecido e jogou-o em cima do sofá. Sorriu ao pensar que esse ato
enlouqueceria o Ittoki se ele estivesse ali, pois o ruivo sempre fora
meticuloso com todos os móveis da casa. Surtava se via algo fora do lugar. A
lembrança fez seu peito doer e o sorriso morrer em seu rosto.
Retirou o celular e a carteira do
bolso de trás da calça e jogou-os em um canto qualquer. Ele sentia mais falta
de Otoya do que gostaria de admitir. Com frequência se lembrava da última vez
que falou com ele, quando disse que ele não precisava mais voltar, se tivesse
mesmo coragem de ir embora. Hoje desejava nunca ter dito aquilo, pois Otoya
sempre levara suas palavras muito a sério. Daquela vez não foi diferente, e o
ruivo nunca mais retornara.
Estava exausto. Meses se passaram
desde que a turnê se iniciara e aquela era a primeira vez desde então que
voltara para casa. Tudo o que queria era tomar um banho e dormir.
Lá fora, o vento rugia, e o céu
castigava com toda sua ira os pobres infelizes que haviam esquecido o
guarda-chuva. Um relâmpago cruzou o céu, fazendo a noite virar dia momentaneamente.
Logo em seguida, o rugido ensurdecedor bradou imponente.
Tokiya entrou debaixo do
chuveiro, gemendo satisfeito quando a água escaldante tocou em sua pele. Fechou
os olhos e baixou a cabeça, sentindo a água relaxar seus músculos cansados da
longa viagem.
Ao terminar o demorado banho, a
luz piscou e apagou de vez. Tokiya agradeceu por ter tido tempo de se banhar,
mas lamentou não poder mais ligar o aquecedor para dormir, pois era uma noite
fria. Abriu a porta minimamente, para que o brilho fraco das lâmpadas de
emergência lhe dessem alguma luz para se enxugar e se vestir, mas isso não o
impediu de bater os cotovelos inúmeras vezes nas paredes. Seu corpo estremeceu
e se arrepiou quando o ar gelado vindo do apartamento tocou sua pele quente.
Ao sair do banheiro, notou algo
diferente no ar. De repente, teve a sensação de estar sendo vigiado.
- “Tem alguém aqui.” – Concluiu.
Se alguém lhe perguntasse como sabia disso, ele provavelmente não saberia
responder. Discretamente, se moveu à uma mesa perto da porta do banheiro, abriu
a gaveta e retirou um objeto de lá.
- Quem está aí? – Indagou. O
braço erguido em posição de defesa na altura do rosto exibia um canivete já
aberto.
Com o canto dos olhos, percebeu
um movimento e se virou rapidamente para a porta de vidro que dava acesso à
varanda, naquele momento com as cortinas fechadas. Seu coração falhou uma
batida ao ver a silhueta escura de uma pessoa.
- Quem é você? Mostre o seu
rosto!
- Você não mudou nada. Continua
sensitivo.
O Ichinose arregalou os olhos.
- Essa voz... não pode ser...
A pessoa desconhecida deu alguns
passos em direção à claridade.
- Sou eu. - Respondeu Otoya
Ittoki.
- Otoya!? – O queixo de Tokiya
caiu.
O olhar dos dois se cruzou e
perderam-se em lembranças pelo que pareceu uma eternidade. Tokiya cogitou a
hipótese de estar sonhando novamente, mas concluiu que nenhuma pessoa normal
conseguiria dormir com o temporal que caía lá fora. O coração batia com força
no peito, as palavras que ensaiara há tanto tempo, guardadas para o dia que
Otoya retornasse, ficaram esquecidas em um canto de sua mente. Ele não
conseguiu pensar em nada para dizer naquele momento, e percebeu que, apesar de
sempre ter desejado que Otoya voltasse, não estava de fato preparado para esse
momento. Nem sabia ao certo se o aceitaria.
- Tadaima.* - Disse o ruivo. Um
sorriso hesitante moldava seus lábios.
Mas Tokiya permaneceu calado, não
respondendo ao cumprimento. As palavras ásperas trocadas naquele dia voltavam à
sua mente, impedindo-o de seguir o forte impulso que sentia de correr e
abraçá-lo. Otoya mudou o peso do corpo de um pé para outro, constrangido pelo
silêncio de Tokiya.
- Hum... Eu queria conversar com
você...
Tokiya relaxou o corpo e olhou
para baixo. Seu rosto era uma máscara indecifrável, desprovida de emoções.
Quando olhou novamente para os olhos do Ittoki, o ruivo se assustou e recuou um
passo. A postura de Tokiya era calma, como se ele não ligasse para o fato de
Otoya estar bem ali na sua frente.
- Sobre o que? – Perguntou
calmamente, sua voz não passava de um mero sussurro.
- Como assim "sobre o
que"? Sobre nós!
- Não existe mais
"nós". Acabou quando você foi embora, lembra?
- Tokiya... – Ele avançou um
passo com um braço estendido, como se quisesse tocá-lo.
- Não. Pode parar. – Disse com a
voz dura. Otoya encolheu o braço junto ao corpo, apreensivo.
- Mas eu nem falei nada! -
Protestou.
- Nem precisa! - Fez uma breve
pausa. Otoya abriu a boca para falar, mas ele o cortou novamente. - Três anos,
Otoya! E agora, de repente você aparece pra me dizer o que? Que quer voltar?
Otoya não respondeu. O coração
martelava em seu peito, com medo de ser expulso a qualquer momento.
- E aí, - Debochou o moreno. -
Pretende ficar quanto tempo dessa vez? O recorde é de 1 ano e 8 meses.
Sabiamente, o ruivo permaneceu
calado. Observou com atenção o modo como Tokiya passava as mãos pelos cabelos
úmidos, deixando óbvio que ele não estava preparado para aquela conversa. Ele
não o culpava.
- Eu não posso passar por isso de
novo, Otoya. Eu não consigo...
- Eu também não consigo... -
Começou, atraindo o olhar de Tokiya novamente para si. - Eu tentei levar uma
vida normal, te esquecer, mas não consigo ficar longe de você. Você faz parte
de mim, é como se eu morresse um pouco a cada dia que eu fico longe de você.
Não consigo mais... não posso... eu preciso estar nos seus braços novamente.
Uma lufada de vento entrou pela
ventarola aberta da janela, jogando a cortina para longe. Nenhum dos dois deu
atenção ao fato.
- Depois de todo esse tempo?
- Sempre.
Tokiya se aproximou. Quando
finalmente ficaram frente à frente, o moreno olhou bem no fundo de seus olhos e
o que viu ali o surpreendeu. Os olhos de Otoya sempre exibiram uma grande baixa
estima e falta de confiança em si mesmo. Mas naquela vez era diferente, Otoya
acreditava profundamente que o que estava fazendo era o certo, e isso se
refletia em seu olhar.
- Por favor... - Implorou. - me
dá mais uma chance. Eu mudei.
- Você disse isso na última vez
também.
- Dessa vez é sério. Acredita em
mim. - Como Tokiya permaneceu impassível, ele continuou. – Deixa eu te provar o
quanto eu estou falando sério. Deixa eu te mostrar a força dos meus sentimentos
por você.
O coração de Otoya falhou várias
batidas quando Tokiya desviou o olhar e se afastou dele, indo até o sofá e
procurando o casaco que havia deixado ali mais cedo. Ele não estava mais ali,
estava pendurado ao lado da porta.
- “Otoya deve ter colocado ali.”
– Pensou, indo até lá e pegando-o.
- Onde você vai? – Perguntou o
ruivo, hesitante.
- Eu preciso pensar. Não posso te
dar uma resposta assim, do nada. – Ele pegou a chave do carro. – Pode ficar
aqui essa noite, eu vou dormir na casa do Cecil.
Já estava a um passo da porta
quando os braços de Otoya o envolveram e o fizeram parar.
- Por favor, não vá! – Implorou,
desesperado.
- Me solta. – Pediu, forçando os
braços.
- Não! Não me deixe sozinho.
Tokiya permaneceu parado, sem
saber o que fazer. Não havia meios de afastar Otoya sem magoá-lo.
Enquanto refletia, pode sentir em
seus braços e costas o quanto Otoya estava gelado. Conforme os minutos se
passaram, começou a sentir a umidade do corpo do ruivo passar para o seu.
- Otoya, você pegou toda essa
chuva?!
Ele se afastou bruscamente,
pegando Otoya de surpresa. Pela primeira vez, ele reparou nos trajes do Ittoki,
uma camisa branca, totalmente inadequada para o frio que fazia, e uma calça
jeans, que agora ele podia ver que estava encharcada.
- Droga, no que você estava
pensando? Quer ficar doente?!
- Eu acabei vindo só com a roupa
do corpo... Não imaginei que ia esfriar tanto agora à noite.
Tokiya o olhava completamente
incrédulo.
- Francamente! – Exclamou,
colocando uma mão no rosto. – O que está esperando, tire logo essa roupa
molhada! – Ordenou. – Eu vou pegar roupas secas pra você.
Enquanto Tokiya ia rapidamente ao
quarto, Otoya começou a se despir, sem conseguir evitar que um sorriso se
espalhasse em seu rosto.
- Ele ainda se preocupa comigo...
Assim que terminou de tirar a
calça, Tokiya retornou, passando algumas de suas roupas para ele.
- Tome, vista essas. – E ficou
observando enquanto o ruivo se vestia. Quando ele terminou, Tokiya colocou uma
mão em sua testa e a outra na do ruivo. – Parece que não tem febre. Mas você
precisa se aquecer, vem.
E pegou em sua mão, guiando-o até
o quarto. Otoya, que andava atrás de Tokiya, olhava de suas mãos dadas para as
costas do homem que amava. Não conseguiu evitar que seu rosto corasse com a
atenção que ele lhe dava. De repente, era como se estivessem de volta aos
velhos tempos.
Ao entrarem no quarto, o Ichinose
o soltou para arrumar a cama. Otoya colocou aquela mão junto ao peito,
desejando que a sensação da mão de Tokiya na sua nunca mais se apagasse.
Observou o quarto com atenção, ainda era do mesmo jeito que ele se lembrava.
Não havia nada novo nem nada faltando, era tudo igual.
- Vem. – Chamou Tokiya, o tirando
de seus pensamentos.
Um tanto hesitante, Otoya
deitou-se naquela cama que já fora dele um dia. Tokiya o cobriu e o ruivo se
sentiu aquecido não só pela coberta, mas também pelos gestos do outro.
Já o Ichinose se encontrava em um
grande dilema. Não queria deixar Otoya sozinho, tinha medo que ele tivesse
febre durante a noite, mas ao mesmo tempo queria sair para poder pensar. Ele
suspirou e se sentou na poltrona que havia na frente da janela. Decidiu que
poderia pensar ali mesmo, enquanto o Ittoki dormia.
O tempo passou. Meia-noite, uma
da manhã. A energia ainda não retornara, e, tomado pelo frio, Tokiya
levantou-se e foi até o armário, pegando um cobertor para si. Ao retornar para
a poltrona, viu Otoya sentado na cama, o acompanhando com um olhar um tanto
apreensivo.
- Não consegue dormir? –
Perguntou o moreno.
O ruivo balançou a cabeça
negativamente. Na verdade, Otoya teve medo de que ele fosse embora.
- Está aquecido, pelo menos?
Otoya desviou o olhar, abriu a
boca para dizer algo, mas fechou-a em seguida.
- Diga. – Encorajou.
- Eu... me aqueceria melhor se
você estivesse aqui comigo. – Sussurrou.
Ele esperou por vários segundos
alguma reação de Tokiya, acompanhado pelo coração que martelava forte,
ameaçando sair pela boca. Mesmo no escuro, era possível perceber sua face se
ruborizando. Um minuto inteiro se passou sem que houvesse uma resposta de
Tokiya. Se sentindo completamente idiota, o ruivo se deitou de repente,
envergonhado, cobrindo-se o máximo que conseguia.
- Esquece o que eu disse.
Se chutou mentalmente.
“No que eu estava pensando!? Como
se ele fosse se deitar comigo só porque eu quero. Sou um idiota mesmo.”
Ele ouviu quando Tokiya voltou
para a poltrona e virou-se para o outro lado, dando as costas a ele.
“Que vergonha... É melhor eu ir
embora bem cedo amanhã. Não sei nem o que estou fazendo aqui, era óbvio que ele
não ia me aceitar, ele mesmo disse isso.”
Lógico que ele não tinha como
saber que aquilo não era totalmente verdade. Sentado na poltrona, Tokiya o observava
com uma dúvida terrível queimando seu peito.
“Não deve ter sido fácil para ele
decidir voltar. Não depois do que dissemos daquela vez... De onde ele tirou
essa coragem? Ele não era assim antes.”
Ele mordeu uma unha.
“Se eu o aceitasse... será que
seria diferente, como ele diz? Não! Eu não posso cair nessa conversa de novo.
Mas... e se...”
Passou as mãos nos cabelos,
frustrado, lembrando-se das palavras do ruivo. ”Eu... me aqueceria melhor se
você estivesse aqui comigo”
“Esse seu pedido não está facilitando
as coisas pra mim, Otoya!”
Algum tempo depois, a respiração
de Otoya se tornou pesada e Tokiya soube que ele finalmente dormira.
“Ele dormiu...” Se sentindo
completamente perdido, Tokiya pega o celular e manda uma mensagem para Ren.
“Está acordado?”
Ele sabia que Masato estava com
ele, então era mais provável que estivesse.
O Jinguji respondeu 20 minutos depois.
“Estou. O que VOCÊ está fazendo acordado essa hora?”
Todo mundo sabia que Tokiya
gostava de dormir cedo, ainda mais depois de voltar de uma turnê.
“Otoya está aqui”
“Isso é ótimo!!!”
“Eu não sei o que fazer...”
Houve uma longa pausa,
provavelmente ele estava contando a novidade para Masato.
“Ichinose, é o Masato. Vou te dar um conselho que Ren e eu concordamos:
siga o seu coração”
“Siga o seu coração...” Tokiya
ruminou aquelas palavras por vários minutos. O que o seu coração queria?
“Meu coração quer Otoya aqui. Mas ele sempre foi um tolo...”
“Isso vai te fazer feliz?”
“Você sabe que sim”
“Então a resposta é óbvia, não acha?”
“Mas e se não der certo de novo?”
“Francamente, você está parecendo o Otoya falando! Eu achei que ele que
era o inseguro nessa relação!”
Tokiya ergueu uma sobrancelha com
o sermão.
“Pra você é fácil criticar, o relacionamento de vocês sempre foi
estável. Não é cheio de idas e vindas como Otoya e eu”
“Isso é porque nós temos confiança mútua. Enquanto vocês dois não
tiverem isso, nunca vai dar certo. Pense, Tokiya, como você espera que esse
relacionamento engate se você o aceitar já pensando que vocês dois não têm
futuro?? Se for assim, é melhor mandar ele embora, porque não vai dar certo
mesmo”
Ele apertou os lábios. Masato
tinha razão, ele sabia disso, mas o histórico de brigas e discussões entre ele
e Otoya não podia ser apagado assim, de uma hora pra outra.
“Confiança mútua... mas nós
confiamos um no outro, não é? Ou pelo menos confiávamos...”
“Ichi, é o Ren. Desculpa pela falta de tato do Masato, sabe como ele é.
Mas eu reforço o que ele disse, confiança é essencial se vocês quiserem mesmo
ficar juntos.”
“Tudo bem. Obrigado pelos conselhos.”
“Você vai ficar bem?”
“Vou”
Bateu o celular no queixo,
pensativo. “Deixa eu te mostrar a força dos meus sentimentos por você”
“Qual é a força dos MEUS
sentimentos por ele?”
Essa pergunta era muito fácil de
responder, ele mesmo sabia a resposta. Masato tinha razão, a resposta para o
seu dilema era muito óbvia.
Sentindo cada fibra de seu corpo
pedir por Otoya, Tokiya levantou-se, deixando o cobertor que usava cair aos
seus pés. Parou ao lado da cama e devagar afastou as cobertas, deitando-se
atrás dele e o envolvendo em seus braços. Finalmente Otoya estava em seu lugar
de direito outra vez.
“Ele realmente está gelado.”
Tokiya cheirou seus cabelos,
sentindo aquela fragrância que ele tanto sentira falta. Ele sabia que assim que
Otoya acordasse, não poderia mais voltar atrás.
“Mas eu não quero voltar atrás.
Eu quero ele aqui.” Concluiu.
Aos poucos, pode sentir o calor
tomar conta de seus corpos. Otoya se mexeu, ainda adormecido, e abraçou o braço
de Tokiya que o envolvia. Mesmo em seu sono, ele suspirou contente, como se
pudesse sentir que seu amado estava do seu lado.
- Tokiya...
- Durma... meu amor.
oOo
Otoya percebeu a mudança brusca
de sua temperatura corporal, tornando a cama um lugar mais confortável e
aconchegante. Sentiu um braço o envolvendo, “coisa da minha cabeça”, pensou.
Embriagado pelo sono, ele não se lembrava mais de onde estava, e imaginar que
Tokiya estava ali com ele era tão comum, que ele não deu bola para o fato. Como
fizera tantas vezes antes, se imaginou abraçando o braço que o envolvia e
suspirou.
- Tokiya... – Chamou.
- Duma... meu amor.
Ele abriu os olhos de repente. Em
seus devaneios, Tokiya nunca respondera ao seu chamado. Por um momento ficou
perdido, mas aos poucos as sensações tomaram conta de seu corpo e ele percebeu
que o abraço não era imaginário.
“Isso é... Tokiya...? Não pode
ser! Ele... está aqui mesmo...”
Engoliu em seco, não ousando se
mexer. Tinha medo que Tokiya saísse se o fizesse. Dentro de si, uma euforia
tomou conta de seu corpo, o coração ribombou forte em seu peito. Em suas
costas, ele podia sentir os batimentos cardíacos de Tokiya, tão fortes quanto
os seus.
“Será que ele está acordado?”
Como se lesse seus pensamentos,
Tokiya se mexeu, o apertando em seus braços e, usando um cotovelo como apoio,
encostou sua face à de Otoya.
- Você... está me perdoando? –
Arriscou o ruivo. Tokiya o respondeu afastando seu corpo minimamente e, com o
braço que o envolvia, o fez ficar de costas na cama. Seus rostos estavam muito
próximos, Otoya podia sentir a respiração do maior em sua face. Não pode
resistir, seu olhar desceu para sua boca e percebeu o moreno fazer o mesmo.
Uma mão de Tokiya pousou em seu
rosto, acariciando sua bochecha, o polegar logo descendo para seus lábios. Ele
os abriu minimamente, ao mesmo tempo que inclinava o corpo e unia os seus aos
dele, em um beijo terno que era ansiado à muito.
Era como se fosse a primeira vez
que eles se beijavam. Os lábios tímidos se mexiam pouco a pouco, deixando o ar
escapar entre eles à medida que a respiração se fazia necessária. Então eles
pararam e se separaram somente o suficiente para poderem se olhar nos olhos.
- Okaeri*. – Disse Tokiya. Ele
viu os olhos de Otoya se encherem de lágrimas e transbordarem pelos cantos,
escorrendo para o travesseiro. Um sorriso que era típico do Ittoki iluminou seu
rosto, aquecendo o coração de Tokiya e o fazendo sorrir também.
Otoya levou uma mão aos seus
cabelos, puxando-o para baixo novamente. O beijo que se seguiu não era mais
como o anterior, era mais urgente e cheio de saudade. Em um movimento brusco,
Otoya o empurrou contra a cama, colocando-se parcialmente acima de si, unindo
seus lábios imediatamente. Com a mão, segurou seu queixo e abriu mais a boca do
moreno, dando espaço para sua língua. Tokiya gemeu com a intensidade do ruivo,
o som sendo abafado pelos lábios vorazes de Otoya.
Procurando mais contato, Tokiya o
puxou mais para cima de si, e Otoya respondeu colocando uma perna de cada lado
de seu corpo, deitando-se completamente em cima dele. Eles mexiam os quadris suavemente,
e Otoya cerrou o ósculo, pairando acima de Tokiya com os braços esticados, uma
mão de cada lado de sua cabeça. Seu quadril dançava sobre o de Tokiya,
provocando sensações que eles não sentiam há muito tempo.
As mãos do moreno desceram,
segurando seu corpo e intensificando os movimentos do ruivo. Gemidos se fizeram
ouvir. Quando os braços de Otoya cansaram, ele se deitou novamente, se apoiando
somente com o antebraço. Sua cabeça se depositou ao lado da de Tokiya, que
continuava encorajando os movimentos de Otoya. O ruivo gemeu em seu ouvido, que
sentiu o sangue pulsar em sua virilha.
Então as mãos do moreno subiram
um pouco, segurando a camiseta que Otoya usava.
- Tira. – Sussurrou.
O ruivo sentou em seu colo e
obedeceu imediatamente, enquanto Tokiya retirava a própria camiseta. Suas mãos
se espalmaram no peito do ruivo, os polegares acariciando seus mamilos em
círculos. Então ele se sentou também e tomou um deles em sua boca, ora
circundando com a língua, ora fazendo movimentos para cima e para baixo, ora
chupando-os com afinco. Otoya suspirava de prazer, as mãos acariciando seus
cabelos.
Num movimento único, Tokiya girou
o corpo e jogou Otoya de costas na cama, atacando os mamilos dele novamente.
Otoya segurava as cobertas com força, o corpo se arqueando conforme as ondas de
prazer o percorriam. Então Tokiya mordeu seu mamilo direito e o puxou, como ele
sabia que o ruivo gostava, e Otoya soltou um grito involuntário. Espantado com
sua própria reação, o Ittoki tampou sua boca, corando violentamente, enquanto
Tokiya o encarava divertido.
- Está sensível, não é?
Otoya apenas virou a cabeça para
o lado, envergonhado, mas Tokiya a virou novamente, cerrando seus lábios em um
selinho demorado. Quando Otoya o abraçou, Tokiya pegou seus braços e os colocou
acima de sua cabeça, de um jeito nada delicado. Ele desceu para o seu pescoço,
lambendo-o de cima a baixo, arrancando um suspiro longo do Ittoki. Então ele
foi descendo devagar, ao mesmo tempo em que suas mãos desciam pelos braços
esticados de Otoya. Ao passar por seu antebraço, seu cenho se franziu. Onde a
pele geralmente é macia e desprovida de pelos, havia uma parte mais grossa,
como se houvesse uma cicatriz muito grande ali.
Ele ergueu o corpo.
- O que é isso no seu braço?
- Nada que valha a pena conversar
agora. Continua... – Pediu, mas recebeu um olhar desconfiado de Tokiya. – Eu
vou te contar o que você quiser, mas não agora. Por favor... – Ele arqueou o
corpo e o abraçou com as pernas. – Nesse momento, só me deixe sentir você.
Se sentindo derrotado diante do
olhar suplicante do Ittoki, Tokiya abaixou-se novamente, beijando seu peito e
descendo devagar para a sua barriga. Lambeu seu umbigo, descendo devagar para o
seu ventre, encontrando o cós da calça. Tokiya o ignorou e continuou sua
descida, chegando finalmente ao grande volume que havia ali. Ele o lambeu por
cima da calça, arrancando suspiros de Otoya, e desceu mais um pouco, fazendo o
mesmo com seus testículos. Os colocou na boca, e o ruivo gritou novamente.
Usando a própria boca, Tokiya
puxou a calça para baixo e fez o mesmo com a cueca, liberando a ereção pulsante
de Otoya. Sem usar as mãos, lambeu toda a extensão do falo do ruivo. Ao chegar
na ponta, inclinou a cabeça e o colocou inteiro na boca.
Otoya soltou uma exclamação
misturada a um grito e arqueou as costas. Aquela sensação era maravilhosa, ver
seu pênis entrar e sair da boca de Tokiya, ouvir os sons eróticos que esse ato
produzia e os baixos gemidos que saiam do fundo da garganta do Ichinose o
enchiam de tesão. Tokiya acelerava, colocando tudo na boca e diminuía de
repente, chupando a glande intensamente.
- Eu vou enlouquecer assim!! –
Otoya gritou, se contorcendo, mas o Ichinose não parou. Continuou naquele
ritmo, oscilando entre rápido e devagar. Ele não poderia aguentar muito mais
tempo se Tokiya continuasse daquele jeito, e o moreno sabia disso também.
Quando seus gemidos se tornaram gritos e seu pênis ficou mais duro, ele parou.
Sentou-se na cama, observando o
ruivo ofegar e seu corpo estremecer. Ele mantinha um braço na frente dos olhos,
e mesmo que Tokiya já tivesse parado, os gemidos continuaram, reação causada
pelo prazer que corria seu corpo. Quando ele parou de tremer e sua respiração
normalizou, tirou o braço que tampava sua visão e se deparou com Tokiya já
completamente nu, acariciando seu próprio membro para mantê-lo ereto. Não que
isso fosse necessário.
- Eu quase gozei agora... –
Admitiu.
- Eu sei. – Tokiya sorriu de
forma doce para ele.
- Eu também quero te dar prazer.
– Disse o ruivo, se apoiando nos cotovelos.
- Você já vai me dar. Tenha
paciência. – Ele se inclinou para o ruivo e beijou seus lábios rapidamente. Quando
se afastou novamente, uma de suas mãos pousou no ombro do ruivo, forçando-o a
se virar. Otoya atendeu ao pedido prontamente, apoiando o rosto no travesseiro
e empinando o traseiro, proporcionando uma bela vista ao Ichinose, que assobiou
aprovando o que via. Ele se inclinou, dando uma mordida de cada lado. Então ele
esticou um braço e pegou algo na gaveta do criado mudo ao lado da cama. Por
estar em uma posição desfavorável, o Ittoki não conseguiu ver o que era.
- O que você-
Ele soltou um grito abafado de
surpresa ao sentir uma coisa úmida e gelada pingar em sua entrada. Ao sentir o
dedo de Tokiya espalhando o produto, se deu conta do que era.
- Lubrificante? Você nunca
precisou disso comigo.
- Foram três anos sem usar essa
parte do seu corpo para isso, e eu não quero te machucar. – Ele parou os
movimentos, encarando a nuca de Otoya – A não ser-
- “A não ser” nada. – Censurou
Otoya, encarando Tokiya por cima do ombro. – Não ouse terminar essa frase, Tokiya
Ichinose.
- Tá bem, tá bem, me desculpa.
Ele continuou os movimentos,
adicionando mais lubrificante aos poucos.
- Mesmo assim, – Continuou o
ruivo. – você não precisava... Oh, droga! – A exclamação veio quando Tokiya
inseriu um dedo lambuzado dentro dele e iniciou lentos movimentos de vai e vem.
Otoya arqueou as costas, sentindo aquela invasão gostosa em seu corpo.
Tokiya observou com um meio
sorriso Otoya encerrar qualquer assunto banal. Os únicos sons que saíam de sua
boca agora eram gemidos eróticos e sussurros desconexos. Resolveu torturá-lo um
pouco mais. Retirou o dedo e lambuzou dois deles, ao mesmo tempo que o ruivo
soltou um resmungo pela interrupção em sua carícia, em seguida introduzindo os
dois de uma vez. O gemido sôfrego de Otoya chegou em seus ouvidos e provocou
uma reação imediata em seu pênis entumecido. Ele ansiava por estar dentro do
ruivo, mas precisava ir com muita cautela para não machucá-lo.
Os movimentos ficaram mais
rápidos, assim como os gemidos de Otoya se tornaram mais altos e urgentes. O
ruivo sentia que já estava em seu limite, não era capaz de aguentar mais
aquilo.
- T-Tokiya... por favor... – Ele
olhou por cima do ombro novamente, encontrando as esferas azuis de seu amado. –
Eu não consigo mais... Eu estou no meu limite.
Tokiya percebeu que era verdade
ao ver seu corpo trêmulo, a maneira como ele segurava firme o lençol, e
principalmente, na expressão em seu rosto extremamente corado. Ele retirou seus
dedos, pegando o tubo de lubrificante e espalhando um pouco em seu próprio
membro. Otoya já estava mais do que preparado para ele.
- Estou entrando. – Avisou,
encostando seu pênis em sua entrada e forçando-o até a glande entrar. Otoya
arfou e engoliu um palavrão. Aquilo doeu mais do que ele se lembrava.
Ao perceber a forma como o ruivo
se encolhera, Tokiya parou, fazendo leves carinhos em suas costas.
- Tudo bem?
- Sim... só... só me dá um tempo
pra acostumar... – Passou-se alguns segundos, e Otoya deu a permissão para
continuar.
Ele apertava o travesseiro com
força, sentindo sua entrada arder conforme Tokiya entrava.
- Oh, droga! Você é tão grande!
- Calma, já vai passar. – Depositou
um beijo em suas costas, levando uma das mãos até seu membro. Devido à dor da
penetração, um pouco da rigidez se perdera, e ele iniciou um vai e vem para
deixá-lo duro novamente. Mas era difícil se concentrar quando as paredes
internas de Otoya o comprimiam com força. Ele podia sentir o interior dele
pulsar, como se quisesse expulsá-lo, e aquela sensação era altamente prazerosa
para ele. – Otoya, eu não posso mais me segurar... – Sua voz era suplicante.
- Pode se mover... – Mesmo não se
sentindo pronto ainda, deu a permissão que o moreno tanto desejava.
Imediatamente, ele iniciou os
movimentos lentos de vai e vem.
- Você está tão apertado... –
Franziu o cenho preocupado, aquilo devia estar doendo muito. – Otoya, se
estiver doendo, me avisa que eu paro.
- É claro que está doendo. –
Declarou. Tokiya parou imediatamente. – Mas eu não quero que você pare. Eu
quero que faça amor comigo até que nossos corpos se fundam.
O moreno saiu de dentro dele e
virou-o de costas na cama. Pegou o tubo de lubrificante e passou mais um pouco
na extensão de seu membro, posicionou-se no meio de suas pernas e penetrou-o
novamente, ao mesmo tempo que tomava seus lábios em um beijo carinhoso. Otoya
gemeu desconfortável, embora tenha sentido menos dor dessa vez.
Tokiya continuou devagar,
sentindo mais confiança ao ver que a expressão do ruivo suavizara. Aos poucos,
a dor foi substituída pelo prazer, e o ruivo começou a gemer de satisfação. Em
seus olhos, havia um pedido mudo por mais, que foi compreendida pelo Ichinose.
Confirmando seu pedido, o ruivo o abraçou com as pernas, ao mesmo tempo que o
moreno aumentava o ritmo.
Palavras não eram necessárias.
Eles eram capazes de se entender com apenas um olhar, um gemido, uma carícia.
Nesse momento, eles se perguntavam como conseguiram viver tantos anos longe um
do outro. Eles percebiam agora como precisavam do corpo um do outro para
sentirem que estavam vivos.
Dentro de seu corpo, Otoya sentiu
um choque diferente, que o fez gritar inesperadamente. Tokiya limitou-se a
sorrir e dizer.
- Acertei, não é? – Referia-se ao
seu ponto de prazer.
- A-hãnnn... – Respondeu entre um
grito e um gemido, pois Tokiya continuou a acertar aquele local que o
enlouquecia.
Agora que o ruivo não sentia mais
dor, Tokiya virou-o novamente para a posição inicial, dessa vez segurando seus
braços para trás enquanto o penetrava com força. Otoya não conseguia controlar
seus gemidos, assim como Tokiya não era mais capaz de controlar seu corpo.
- T-Tokiya... – Gemeu Otoya.
Várias sensações diferentes percorriam seu corpo. – Isso! – Gritava quando o
moreno acertava novamente aquele ponto dentro de si.
Já Tokiya estava se segurando
para não atingir o orgasmo. Queria dar o máximo de prazer para Otoya, então
diminuiu bruscamente.
- Não... continua... – Pediu o
ruivo.
- Se continuar daquele jeito, eu
vou gozar.
- Pode gozar. – O ruivo olhou por
cima do ombro suplicante. – Vamos, Tokiya...
- Droga... – Exclamou, se
sentindo derrotado. – Quando foi que eu consegui negar um pedido seu?
Ele o puxou para si, colando seus
corpos e unindo seus lábios em um beijo carnal. Quando se separaram, Otoya
inclinou o corpo, ficando de quatro enquanto se segurava na cabeceira da cama.
O Ichinose recomeçou as estocadas
fortes. Otoya jogou a cabeça para trás, gemendo alto, sentindo seu corpo
começar a tremer. Ele podia gozar a qualquer momento.
- Tokiya... não consigo mais...
Então o orgasmo veio, forte,
fazendo o corpo de Otoya ter espasmos involuntários. Ele gritou, sentindo que
Tokiya também atingira o clímax. Seu líquido o preenchia, quente, o fruto do
seu prazer máximo.
Eles permaneceram conectados por
mais algum tempo, até que o orgasmo se dissipasse completamente. Então, Tokiya
saiu de dentro dele e caiu de costas na cama, ofegante. Nesse momento, a
energia retornou e a luz acendeu. O olhar dos dois amantes se encontrou, Tokiya
deitado e Otoya sentado sobre as pernas, os braços apoiados na cama.
Casualmente, o olhar de Tokiya
desceu e pousou no braço de Otoya. Ele pode ver várias cicatrizes nítidas, uma
abaixo da outra, cobrindo toda a extensão de seu antebraço. Ele se apoiou nos
cotovelos, assustado, e encarou Otoya. O ruivo encolheu os braços, escondendo aquilo
que o envergonhava. Ele desviou o olhar.
- Otoya-
- Amanhã. – Cortou-o.
- Mas-
- Por favor! – Tokiya podia ver a
dor em seu olhar. Não era um assunto fácil para o Ittoki, se ele não queria
falar nisso agora, Tokiya não iria forçá-lo.
- Tudo bem. Mas amanhã eu quero
ouvir tudo.
Ele se sentou na cama e lhe deu
um selinho.
- Ok?
- Ok. – Concordou o ruivo. – Eu
vou tomar um banho.
Quando ele retornou, Tokiya havia
trocado o lençol e já o esperava deitado. Ao vê-lo, Tokiya lhe deu o seu
sorriso mais caloroso e abriu os braços para recebê-lo. Ao se deitar em seu
peito, Otoya se sentiu seguro, amado, e seu coração se aqueceu. Ele sentiu que
poderia falar com Tokiya sobre aquele assunto que era um tabu para ele, e de
alguma forma, sabia que ele não o julgaria.
- Tokiya?
- Hum?
- Eu te amo.
Tokiya depositou um beijo em sua
testa.
- Eu também.
Notas finais:
Eu sei que o final não ficou lá essas coisas, acabei de finalizar o capítulo e queria postar hoje ainda. Me perdoem.
Se você gostou, deixe um comentário para que eu saiba XD
Beijos de nutella da Hime <3
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