quinta-feira, 15 de novembro de 2018

Capítulo 3 - Surpresa no meio da noite

Notas iniciais:

Um agradecimento especial à querida Mayuri-chan, minha stalker super fofa <3 Quem diria que, ao te oferecer uma fanfic como presente de aniversário, eu ia ganhar em troca esse presente tão especial que é a sua amizade. Obrigada pelo apoio e por sempre lembrar de mim, mesmo com a sua rotina tão corrida <3

Cheeeeega de papo!!!! Boa leitura!!


Capítulo 3 - Surpresa no meio da noite


Já era noite quando Tokiya chegou em casa. Entrou, trancou a porta e jogou suas chaves na mesa de centro. Seguiu-se um barulho estridente, quando o metal retiniu contra o vidro. Retirou o casaco umedecido e jogou-o em cima do sofá. Sorriu ao pensar que esse ato enlouqueceria o Ittoki se ele estivesse ali, pois o ruivo sempre fora meticuloso com todos os móveis da casa. Surtava se via algo fora do lugar. A lembrança fez seu peito doer e o sorriso morrer em seu rosto.
Retirou o celular e a carteira do bolso de trás da calça e jogou-os em um canto qualquer. Ele sentia mais falta de Otoya do que gostaria de admitir. Com frequência se lembrava da última vez que falou com ele, quando disse que ele não precisava mais voltar, se tivesse mesmo coragem de ir embora. Hoje desejava nunca ter dito aquilo, pois Otoya sempre levara suas palavras muito a sério. Daquela vez não foi diferente, e o ruivo nunca mais retornara.
Estava exausto. Meses se passaram desde que a turnê se iniciara e aquela era a primeira vez desde então que voltara para casa. Tudo o que queria era tomar um banho e dormir.
Lá fora, o vento rugia, e o céu castigava com toda sua ira os pobres infelizes que haviam esquecido o guarda-chuva. Um relâmpago cruzou o céu, fazendo a noite virar dia momentaneamente. Logo em seguida, o rugido ensurdecedor bradou imponente.
Tokiya entrou debaixo do chuveiro, gemendo satisfeito quando a água escaldante tocou em sua pele. Fechou os olhos e baixou a cabeça, sentindo a água relaxar seus músculos cansados da longa viagem.
Ao terminar o demorado banho, a luz piscou e apagou de vez. Tokiya agradeceu por ter tido tempo de se banhar, mas lamentou não poder mais ligar o aquecedor para dormir, pois era uma noite fria. Abriu a porta minimamente, para que o brilho fraco das lâmpadas de emergência lhe dessem alguma luz para se enxugar e se vestir, mas isso não o impediu de bater os cotovelos inúmeras vezes nas paredes. Seu corpo estremeceu e se arrepiou quando o ar gelado vindo do apartamento tocou sua pele quente.
Ao sair do banheiro, notou algo diferente no ar. De repente, teve a sensação de estar sendo vigiado.
- “Tem alguém aqui.” – Concluiu. Se alguém lhe perguntasse como sabia disso, ele provavelmente não saberia responder. Discretamente, se moveu à uma mesa perto da porta do banheiro, abriu a gaveta e retirou um objeto de lá.
- Quem está aí? – Indagou. O braço erguido em posição de defesa na altura do rosto exibia um canivete já aberto.
Com o canto dos olhos, percebeu um movimento e se virou rapidamente para a porta de vidro que dava acesso à varanda, naquele momento com as cortinas fechadas. Seu coração falhou uma batida ao ver a silhueta escura de uma pessoa.
- Quem é você? Mostre o seu rosto!
- Você não mudou nada. Continua sensitivo.
O Ichinose arregalou os olhos.
- Essa voz... não pode ser...
A pessoa desconhecida deu alguns passos em direção à claridade.
- Sou eu. - Respondeu Otoya Ittoki.
- Otoya!? – O queixo de Tokiya caiu.
O olhar dos dois se cruzou e perderam-se em lembranças pelo que pareceu uma eternidade. Tokiya cogitou a hipótese de estar sonhando novamente, mas concluiu que nenhuma pessoa normal conseguiria dormir com o temporal que caía lá fora. O coração batia com força no peito, as palavras que ensaiara há tanto tempo, guardadas para o dia que Otoya retornasse, ficaram esquecidas em um canto de sua mente. Ele não conseguiu pensar em nada para dizer naquele momento, e percebeu que, apesar de sempre ter desejado que Otoya voltasse, não estava de fato preparado para esse momento. Nem sabia ao certo se o aceitaria.
- Tadaima.* - Disse o ruivo. Um sorriso hesitante moldava seus lábios.
Mas Tokiya permaneceu calado, não respondendo ao cumprimento. As palavras ásperas trocadas naquele dia voltavam à sua mente, impedindo-o de seguir o forte impulso que sentia de correr e abraçá-lo. Otoya mudou o peso do corpo de um pé para outro, constrangido pelo silêncio de Tokiya.
- Hum... Eu queria conversar com você...
Tokiya relaxou o corpo e olhou para baixo. Seu rosto era uma máscara indecifrável, desprovida de emoções. Quando olhou novamente para os olhos do Ittoki, o ruivo se assustou e recuou um passo. A postura de Tokiya era calma, como se ele não ligasse para o fato de Otoya estar bem ali na sua frente.
- Sobre o que? – Perguntou calmamente, sua voz não passava de um mero sussurro.
- Como assim "sobre o que"? Sobre nós!
- Não existe mais "nós". Acabou quando você foi embora, lembra?
- Tokiya... – Ele avançou um passo com um braço estendido, como se quisesse tocá-lo.
- Não. Pode parar. – Disse com a voz dura. Otoya encolheu o braço junto ao corpo, apreensivo.
- Mas eu nem falei nada! - Protestou.
- Nem precisa! - Fez uma breve pausa. Otoya abriu a boca para falar, mas ele o cortou novamente. - Três anos, Otoya! E agora, de repente você aparece pra me dizer o que? Que quer voltar?
Otoya não respondeu. O coração martelava em seu peito, com medo de ser expulso a qualquer momento.
- E aí, - Debochou o moreno. - Pretende ficar quanto tempo dessa vez? O recorde é de 1 ano e 8 meses.
Sabiamente, o ruivo permaneceu calado. Observou com atenção o modo como Tokiya passava as mãos pelos cabelos úmidos, deixando óbvio que ele não estava preparado para aquela conversa. Ele não o culpava.
- Eu não posso passar por isso de novo, Otoya. Eu não consigo...
- Eu também não consigo... - Começou, atraindo o olhar de Tokiya novamente para si. - Eu tentei levar uma vida normal, te esquecer, mas não consigo ficar longe de você. Você faz parte de mim, é como se eu morresse um pouco a cada dia que eu fico longe de você. Não consigo mais... não posso... eu preciso estar nos seus braços novamente.
Uma lufada de vento entrou pela ventarola aberta da janela, jogando a cortina para longe. Nenhum dos dois deu atenção ao fato.
- Depois de todo esse tempo?
- Sempre.
Tokiya se aproximou. Quando finalmente ficaram frente à frente, o moreno olhou bem no fundo de seus olhos e o que viu ali o surpreendeu. Os olhos de Otoya sempre exibiram uma grande baixa estima e falta de confiança em si mesmo. Mas naquela vez era diferente, Otoya acreditava profundamente que o que estava fazendo era o certo, e isso se refletia em seu olhar.
- Por favor... - Implorou. - me dá mais uma chance. Eu mudei.
- Você disse isso na última vez também.
- Dessa vez é sério. Acredita em mim. - Como Tokiya permaneceu impassível, ele continuou. – Deixa eu te provar o quanto eu estou falando sério. Deixa eu te mostrar a força dos meus sentimentos por você.
O coração de Otoya falhou várias batidas quando Tokiya desviou o olhar e se afastou dele, indo até o sofá e procurando o casaco que havia deixado ali mais cedo. Ele não estava mais ali, estava pendurado ao lado da porta.
- “Otoya deve ter colocado ali.” – Pensou, indo até lá e pegando-o.
- Onde você vai? – Perguntou o ruivo, hesitante.
- Eu preciso pensar. Não posso te dar uma resposta assim, do nada. – Ele pegou a chave do carro. – Pode ficar aqui essa noite, eu vou dormir na casa do Cecil.
Já estava a um passo da porta quando os braços de Otoya o envolveram e o fizeram parar.
- Por favor, não vá! – Implorou, desesperado.
- Me solta. – Pediu, forçando os braços.
- Não! Não me deixe sozinho.
Tokiya permaneceu parado, sem saber o que fazer. Não havia meios de afastar Otoya sem magoá-lo.
Enquanto refletia, pode sentir em seus braços e costas o quanto Otoya estava gelado. Conforme os minutos se passaram, começou a sentir a umidade do corpo do ruivo passar para o seu.
- Otoya, você pegou toda essa chuva?!
Ele se afastou bruscamente, pegando Otoya de surpresa. Pela primeira vez, ele reparou nos trajes do Ittoki, uma camisa branca, totalmente inadequada para o frio que fazia, e uma calça jeans, que agora ele podia ver que estava encharcada.
- Droga, no que você estava pensando? Quer ficar doente?!
- Eu acabei vindo só com a roupa do corpo... Não imaginei que ia esfriar tanto agora à noite.
Tokiya o olhava completamente incrédulo.
- Francamente! – Exclamou, colocando uma mão no rosto. – O que está esperando, tire logo essa roupa molhada! – Ordenou. – Eu vou pegar roupas secas pra você.
Enquanto Tokiya ia rapidamente ao quarto, Otoya começou a se despir, sem conseguir evitar que um sorriso se espalhasse em seu rosto.
- Ele ainda se preocupa comigo...
Assim que terminou de tirar a calça, Tokiya retornou, passando algumas de suas roupas para ele.
- Tome, vista essas. – E ficou observando enquanto o ruivo se vestia. Quando ele terminou, Tokiya colocou uma mão em sua testa e a outra na do ruivo. – Parece que não tem febre. Mas você precisa se aquecer, vem.
E pegou em sua mão, guiando-o até o quarto. Otoya, que andava atrás de Tokiya, olhava de suas mãos dadas para as costas do homem que amava. Não conseguiu evitar que seu rosto corasse com a atenção que ele lhe dava. De repente, era como se estivessem de volta aos velhos tempos.
Ao entrarem no quarto, o Ichinose o soltou para arrumar a cama. Otoya colocou aquela mão junto ao peito, desejando que a sensação da mão de Tokiya na sua nunca mais se apagasse. Observou o quarto com atenção, ainda era do mesmo jeito que ele se lembrava. Não havia nada novo nem nada faltando, era tudo igual.
- Vem. – Chamou Tokiya, o tirando de seus pensamentos.
Um tanto hesitante, Otoya deitou-se naquela cama que já fora dele um dia. Tokiya o cobriu e o ruivo se sentiu aquecido não só pela coberta, mas também pelos gestos do outro.
Já o Ichinose se encontrava em um grande dilema. Não queria deixar Otoya sozinho, tinha medo que ele tivesse febre durante a noite, mas ao mesmo tempo queria sair para poder pensar. Ele suspirou e se sentou na poltrona que havia na frente da janela. Decidiu que poderia pensar ali mesmo, enquanto o Ittoki dormia.
O tempo passou. Meia-noite, uma da manhã. A energia ainda não retornara, e, tomado pelo frio, Tokiya levantou-se e foi até o armário, pegando um cobertor para si. Ao retornar para a poltrona, viu Otoya sentado na cama, o acompanhando com um olhar um tanto apreensivo.
- Não consegue dormir? – Perguntou o moreno.
O ruivo balançou a cabeça negativamente. Na verdade, Otoya teve medo de que ele fosse embora.
- Está aquecido, pelo menos?
Otoya desviou o olhar, abriu a boca para dizer algo, mas fechou-a em seguida.
- Diga. – Encorajou.
- Eu... me aqueceria melhor se você estivesse aqui comigo. – Sussurrou.
Ele esperou por vários segundos alguma reação de Tokiya, acompanhado pelo coração que martelava forte, ameaçando sair pela boca. Mesmo no escuro, era possível perceber sua face se ruborizando. Um minuto inteiro se passou sem que houvesse uma resposta de Tokiya. Se sentindo completamente idiota, o ruivo se deitou de repente, envergonhado, cobrindo-se o máximo que conseguia.
- Esquece o que eu disse.
Se chutou mentalmente.
“No que eu estava pensando!? Como se ele fosse se deitar comigo só porque eu quero. Sou um idiota mesmo.”
Ele ouviu quando Tokiya voltou para a poltrona e virou-se para o outro lado, dando as costas a ele.
“Que vergonha... É melhor eu ir embora bem cedo amanhã. Não sei nem o que estou fazendo aqui, era óbvio que ele não ia me aceitar, ele mesmo disse isso.”
Lógico que ele não tinha como saber que aquilo não era totalmente verdade. Sentado na poltrona, Tokiya o observava com uma dúvida terrível queimando seu peito.
“Não deve ter sido fácil para ele decidir voltar. Não depois do que dissemos daquela vez... De onde ele tirou essa coragem? Ele não era assim antes.”
Ele mordeu uma unha.
“Se eu o aceitasse... será que seria diferente, como ele diz? Não! Eu não posso cair nessa conversa de novo. Mas... e se...”
Passou as mãos nos cabelos, frustrado, lembrando-se das palavras do ruivo. ”Eu... me aqueceria melhor se você estivesse aqui comigo”
“Esse seu pedido não está facilitando as coisas pra mim, Otoya!”
Algum tempo depois, a respiração de Otoya se tornou pesada e Tokiya soube que ele finalmente dormira.
“Ele dormiu...” Se sentindo completamente perdido, Tokiya pega o celular e manda uma mensagem para Ren.
“Está acordado?”
Ele sabia que Masato estava com ele, então era mais provável que estivesse. O Jinguji respondeu 20 minutos depois.
“Estou. O que VOCÊ está fazendo acordado essa hora?”
Todo mundo sabia que Tokiya gostava de dormir cedo, ainda mais depois de voltar de uma turnê.
“Otoya está aqui”
“Isso é ótimo!!!”
“Eu não sei o que fazer...”
Houve uma longa pausa, provavelmente ele estava contando a novidade para Masato.
“Ichinose, é o Masato. Vou te dar um conselho que Ren e eu concordamos: siga o seu coração”
“Siga o seu coração...” Tokiya ruminou aquelas palavras por vários minutos. O que o seu coração queria?
“Meu coração quer Otoya aqui. Mas ele sempre foi um tolo...”
“Isso vai te fazer feliz?”
“Você sabe que sim”
“Então a resposta é óbvia, não acha?”
“Mas e se não der certo de novo?”
“Francamente, você está parecendo o Otoya falando! Eu achei que ele que era o inseguro nessa relação!”
Tokiya ergueu uma sobrancelha com o sermão.
“Pra você é fácil criticar, o relacionamento de vocês sempre foi estável. Não é cheio de idas e vindas como Otoya e eu”
“Isso é porque nós temos confiança mútua. Enquanto vocês dois não tiverem isso, nunca vai dar certo. Pense, Tokiya, como você espera que esse relacionamento engate se você o aceitar já pensando que vocês dois não têm futuro?? Se for assim, é melhor mandar ele embora, porque não vai dar certo mesmo”
Ele apertou os lábios. Masato tinha razão, ele sabia disso, mas o histórico de brigas e discussões entre ele e Otoya não podia ser apagado assim, de uma hora pra outra.
“Confiança mútua... mas nós confiamos um no outro, não é? Ou pelo menos confiávamos...”
“Ichi, é o Ren. Desculpa pela falta de tato do Masato, sabe como ele é. Mas eu reforço o que ele disse, confiança é essencial se vocês quiserem mesmo ficar juntos.”
“Tudo bem. Obrigado pelos conselhos.”
“Você vai ficar bem?”
“Vou”
Bateu o celular no queixo, pensativo. “Deixa eu te mostrar a força dos meus sentimentos por você”
“Qual é a força dos MEUS sentimentos por ele?”
Essa pergunta era muito fácil de responder, ele mesmo sabia a resposta. Masato tinha razão, a resposta para o seu dilema era muito óbvia.
Sentindo cada fibra de seu corpo pedir por Otoya, Tokiya levantou-se, deixando o cobertor que usava cair aos seus pés. Parou ao lado da cama e devagar afastou as cobertas, deitando-se atrás dele e o envolvendo em seus braços. Finalmente Otoya estava em seu lugar de direito outra vez.
“Ele realmente está gelado.”
Tokiya cheirou seus cabelos, sentindo aquela fragrância que ele tanto sentira falta. Ele sabia que assim que Otoya acordasse, não poderia mais voltar atrás.
“Mas eu não quero voltar atrás. Eu quero ele aqui.” Concluiu.
Aos poucos, pode sentir o calor tomar conta de seus corpos. Otoya se mexeu, ainda adormecido, e abraçou o braço de Tokiya que o envolvia. Mesmo em seu sono, ele suspirou contente, como se pudesse sentir que seu amado estava do seu lado.
- Tokiya...
- Durma... meu amor.
oOo
Otoya percebeu a mudança brusca de sua temperatura corporal, tornando a cama um lugar mais confortável e aconchegante. Sentiu um braço o envolvendo, “coisa da minha cabeça”, pensou. Embriagado pelo sono, ele não se lembrava mais de onde estava, e imaginar que Tokiya estava ali com ele era tão comum, que ele não deu bola para o fato. Como fizera tantas vezes antes, se imaginou abraçando o braço que o envolvia e suspirou.
- Tokiya... – Chamou.
- Duma... meu amor.
Ele abriu os olhos de repente. Em seus devaneios, Tokiya nunca respondera ao seu chamado. Por um momento ficou perdido, mas aos poucos as sensações tomaram conta de seu corpo e ele percebeu que o abraço não era imaginário.
“Isso é... Tokiya...? Não pode ser! Ele... está aqui mesmo...”
Engoliu em seco, não ousando se mexer. Tinha medo que Tokiya saísse se o fizesse. Dentro de si, uma euforia tomou conta de seu corpo, o coração ribombou forte em seu peito. Em suas costas, ele podia sentir os batimentos cardíacos de Tokiya, tão fortes quanto os seus.
“Será que ele está acordado?”
Como se lesse seus pensamentos, Tokiya se mexeu, o apertando em seus braços e, usando um cotovelo como apoio, encostou sua face à de Otoya.
- Você... está me perdoando? – Arriscou o ruivo. Tokiya o respondeu afastando seu corpo minimamente e, com o braço que o envolvia, o fez ficar de costas na cama. Seus rostos estavam muito próximos, Otoya podia sentir a respiração do maior em sua face. Não pode resistir, seu olhar desceu para sua boca e percebeu o moreno fazer o mesmo.
Uma mão de Tokiya pousou em seu rosto, acariciando sua bochecha, o polegar logo descendo para seus lábios. Ele os abriu minimamente, ao mesmo tempo que inclinava o corpo e unia os seus aos dele, em um beijo terno que era ansiado à muito.
Era como se fosse a primeira vez que eles se beijavam. Os lábios tímidos se mexiam pouco a pouco, deixando o ar escapar entre eles à medida que a respiração se fazia necessária. Então eles pararam e se separaram somente o suficiente para poderem se olhar nos olhos.
- Okaeri*. – Disse Tokiya. Ele viu os olhos de Otoya se encherem de lágrimas e transbordarem pelos cantos, escorrendo para o travesseiro. Um sorriso que era típico do Ittoki iluminou seu rosto, aquecendo o coração de Tokiya e o fazendo sorrir também.
Otoya levou uma mão aos seus cabelos, puxando-o para baixo novamente. O beijo que se seguiu não era mais como o anterior, era mais urgente e cheio de saudade. Em um movimento brusco, Otoya o empurrou contra a cama, colocando-se parcialmente acima de si, unindo seus lábios imediatamente. Com a mão, segurou seu queixo e abriu mais a boca do moreno, dando espaço para sua língua. Tokiya gemeu com a intensidade do ruivo, o som sendo abafado pelos lábios vorazes de Otoya.
Procurando mais contato, Tokiya o puxou mais para cima de si, e Otoya respondeu colocando uma perna de cada lado de seu corpo, deitando-se completamente em cima dele. Eles mexiam os quadris suavemente, e Otoya cerrou o ósculo, pairando acima de Tokiya com os braços esticados, uma mão de cada lado de sua cabeça. Seu quadril dançava sobre o de Tokiya, provocando sensações que eles não sentiam há muito tempo.
As mãos do moreno desceram, segurando seu corpo e intensificando os movimentos do ruivo. Gemidos se fizeram ouvir. Quando os braços de Otoya cansaram, ele se deitou novamente, se apoiando somente com o antebraço. Sua cabeça se depositou ao lado da de Tokiya, que continuava encorajando os movimentos de Otoya. O ruivo gemeu em seu ouvido, que sentiu o sangue pulsar em sua virilha.
Então as mãos do moreno subiram um pouco, segurando a camiseta que Otoya usava.
- Tira. – Sussurrou.
O ruivo sentou em seu colo e obedeceu imediatamente, enquanto Tokiya retirava a própria camiseta. Suas mãos se espalmaram no peito do ruivo, os polegares acariciando seus mamilos em círculos. Então ele se sentou também e tomou um deles em sua boca, ora circundando com a língua, ora fazendo movimentos para cima e para baixo, ora chupando-os com afinco. Otoya suspirava de prazer, as mãos acariciando seus cabelos.
Num movimento único, Tokiya girou o corpo e jogou Otoya de costas na cama, atacando os mamilos dele novamente. Otoya segurava as cobertas com força, o corpo se arqueando conforme as ondas de prazer o percorriam. Então Tokiya mordeu seu mamilo direito e o puxou, como ele sabia que o ruivo gostava, e Otoya soltou um grito involuntário. Espantado com sua própria reação, o Ittoki tampou sua boca, corando violentamente, enquanto Tokiya o encarava divertido.
- Está sensível, não é?
Otoya apenas virou a cabeça para o lado, envergonhado, mas Tokiya a virou novamente, cerrando seus lábios em um selinho demorado. Quando Otoya o abraçou, Tokiya pegou seus braços e os colocou acima de sua cabeça, de um jeito nada delicado. Ele desceu para o seu pescoço, lambendo-o de cima a baixo, arrancando um suspiro longo do Ittoki. Então ele foi descendo devagar, ao mesmo tempo em que suas mãos desciam pelos braços esticados de Otoya. Ao passar por seu antebraço, seu cenho se franziu. Onde a pele geralmente é macia e desprovida de pelos, havia uma parte mais grossa, como se houvesse uma cicatriz muito grande ali.
Ele ergueu o corpo.
- O que é isso no seu braço?
- Nada que valha a pena conversar agora. Continua... – Pediu, mas recebeu um olhar desconfiado de Tokiya. – Eu vou te contar o que você quiser, mas não agora. Por favor... – Ele arqueou o corpo e o abraçou com as pernas. – Nesse momento, só me deixe sentir você.
Se sentindo derrotado diante do olhar suplicante do Ittoki, Tokiya abaixou-se novamente, beijando seu peito e descendo devagar para a sua barriga. Lambeu seu umbigo, descendo devagar para o seu ventre, encontrando o cós da calça. Tokiya o ignorou e continuou sua descida, chegando finalmente ao grande volume que havia ali. Ele o lambeu por cima da calça, arrancando suspiros de Otoya, e desceu mais um pouco, fazendo o mesmo com seus testículos. Os colocou na boca, e o ruivo gritou novamente.
Usando a própria boca, Tokiya puxou a calça para baixo e fez o mesmo com a cueca, liberando a ereção pulsante de Otoya. Sem usar as mãos, lambeu toda a extensão do falo do ruivo. Ao chegar na ponta, inclinou a cabeça e o colocou inteiro na boca.
Otoya soltou uma exclamação misturada a um grito e arqueou as costas. Aquela sensação era maravilhosa, ver seu pênis entrar e sair da boca de Tokiya, ouvir os sons eróticos que esse ato produzia e os baixos gemidos que saiam do fundo da garganta do Ichinose o enchiam de tesão. Tokiya acelerava, colocando tudo na boca e diminuía de repente, chupando a glande intensamente.
- Eu vou enlouquecer assim!! – Otoya gritou, se contorcendo, mas o Ichinose não parou. Continuou naquele ritmo, oscilando entre rápido e devagar. Ele não poderia aguentar muito mais tempo se Tokiya continuasse daquele jeito, e o moreno sabia disso também. Quando seus gemidos se tornaram gritos e seu pênis ficou mais duro, ele parou.
Sentou-se na cama, observando o ruivo ofegar e seu corpo estremecer. Ele mantinha um braço na frente dos olhos, e mesmo que Tokiya já tivesse parado, os gemidos continuaram, reação causada pelo prazer que corria seu corpo. Quando ele parou de tremer e sua respiração normalizou, tirou o braço que tampava sua visão e se deparou com Tokiya já completamente nu, acariciando seu próprio membro para mantê-lo ereto. Não que isso fosse necessário.
- Eu quase gozei agora... – Admitiu.
- Eu sei. – Tokiya sorriu de forma doce para ele.
- Eu também quero te dar prazer. – Disse o ruivo, se apoiando nos cotovelos.
- Você já vai me dar. Tenha paciência. – Ele se inclinou para o ruivo e beijou seus lábios rapidamente. Quando se afastou novamente, uma de suas mãos pousou no ombro do ruivo, forçando-o a se virar. Otoya atendeu ao pedido prontamente, apoiando o rosto no travesseiro e empinando o traseiro, proporcionando uma bela vista ao Ichinose, que assobiou aprovando o que via. Ele se inclinou, dando uma mordida de cada lado. Então ele esticou um braço e pegou algo na gaveta do criado mudo ao lado da cama. Por estar em uma posição desfavorável, o Ittoki não conseguiu ver o que era.
- O que você-
Ele soltou um grito abafado de surpresa ao sentir uma coisa úmida e gelada pingar em sua entrada. Ao sentir o dedo de Tokiya espalhando o produto, se deu conta do que era.
- Lubrificante? Você nunca precisou disso comigo.
- Foram três anos sem usar essa parte do seu corpo para isso, e eu não quero te machucar. – Ele parou os movimentos, encarando a nuca de Otoya – A não ser-
- “A não ser” nada. – Censurou Otoya, encarando Tokiya por cima do ombro. – Não ouse terminar essa frase, Tokiya Ichinose.
- Tá bem, tá bem, me desculpa.
Ele continuou os movimentos, adicionando mais lubrificante aos poucos.
- Mesmo assim, – Continuou o ruivo. – você não precisava... Oh, droga! – A exclamação veio quando Tokiya inseriu um dedo lambuzado dentro dele e iniciou lentos movimentos de vai e vem. Otoya arqueou as costas, sentindo aquela invasão gostosa em seu corpo.
Tokiya observou com um meio sorriso Otoya encerrar qualquer assunto banal. Os únicos sons que saíam de sua boca agora eram gemidos eróticos e sussurros desconexos. Resolveu torturá-lo um pouco mais. Retirou o dedo e lambuzou dois deles, ao mesmo tempo que o ruivo soltou um resmungo pela interrupção em sua carícia, em seguida introduzindo os dois de uma vez. O gemido sôfrego de Otoya chegou em seus ouvidos e provocou uma reação imediata em seu pênis entumecido. Ele ansiava por estar dentro do ruivo, mas precisava ir com muita cautela para não machucá-lo.
Os movimentos ficaram mais rápidos, assim como os gemidos de Otoya se tornaram mais altos e urgentes. O ruivo sentia que já estava em seu limite, não era capaz de aguentar mais aquilo.
- T-Tokiya... por favor... – Ele olhou por cima do ombro novamente, encontrando as esferas azuis de seu amado. – Eu não consigo mais... Eu estou no meu limite.
Tokiya percebeu que era verdade ao ver seu corpo trêmulo, a maneira como ele segurava firme o lençol, e principalmente, na expressão em seu rosto extremamente corado. Ele retirou seus dedos, pegando o tubo de lubrificante e espalhando um pouco em seu próprio membro. Otoya já estava mais do que preparado para ele.
- Estou entrando. – Avisou, encostando seu pênis em sua entrada e forçando-o até a glande entrar. Otoya arfou e engoliu um palavrão. Aquilo doeu mais do que ele se lembrava.
Ao perceber a forma como o ruivo se encolhera, Tokiya parou, fazendo leves carinhos em suas costas.
- Tudo bem?
- Sim... só... só me dá um tempo pra acostumar... – Passou-se alguns segundos, e Otoya deu a permissão para continuar.
Ele apertava o travesseiro com força, sentindo sua entrada arder conforme Tokiya entrava.
- Oh, droga! Você é tão grande!
- Calma, já vai passar. – Depositou um beijo em suas costas, levando uma das mãos até seu membro. Devido à dor da penetração, um pouco da rigidez se perdera, e ele iniciou um vai e vem para deixá-lo duro novamente. Mas era difícil se concentrar quando as paredes internas de Otoya o comprimiam com força. Ele podia sentir o interior dele pulsar, como se quisesse expulsá-lo, e aquela sensação era altamente prazerosa para ele. – Otoya, eu não posso mais me segurar... – Sua voz era suplicante.
- Pode se mover... – Mesmo não se sentindo pronto ainda, deu a permissão que o moreno tanto desejava.
Imediatamente, ele iniciou os movimentos lentos de vai e vem.
- Você está tão apertado... – Franziu o cenho preocupado, aquilo devia estar doendo muito. – Otoya, se estiver doendo, me avisa que eu paro.
- É claro que está doendo. – Declarou. Tokiya parou imediatamente. – Mas eu não quero que você pare. Eu quero que faça amor comigo até que nossos corpos se fundam.
O moreno saiu de dentro dele e virou-o de costas na cama. Pegou o tubo de lubrificante e passou mais um pouco na extensão de seu membro, posicionou-se no meio de suas pernas e penetrou-o novamente, ao mesmo tempo que tomava seus lábios em um beijo carinhoso. Otoya gemeu desconfortável, embora tenha sentido menos dor dessa vez.
Tokiya continuou devagar, sentindo mais confiança ao ver que a expressão do ruivo suavizara. Aos poucos, a dor foi substituída pelo prazer, e o ruivo começou a gemer de satisfação. Em seus olhos, havia um pedido mudo por mais, que foi compreendida pelo Ichinose. Confirmando seu pedido, o ruivo o abraçou com as pernas, ao mesmo tempo que o moreno aumentava o ritmo.
Palavras não eram necessárias. Eles eram capazes de se entender com apenas um olhar, um gemido, uma carícia. Nesse momento, eles se perguntavam como conseguiram viver tantos anos longe um do outro. Eles percebiam agora como precisavam do corpo um do outro para sentirem que estavam vivos.
Dentro de seu corpo, Otoya sentiu um choque diferente, que o fez gritar inesperadamente. Tokiya limitou-se a sorrir e dizer.
- Acertei, não é? – Referia-se ao seu ponto de prazer.
- A-hãnnn... – Respondeu entre um grito e um gemido, pois Tokiya continuou a acertar aquele local que o enlouquecia.
Agora que o ruivo não sentia mais dor, Tokiya virou-o novamente para a posição inicial, dessa vez segurando seus braços para trás enquanto o penetrava com força. Otoya não conseguia controlar seus gemidos, assim como Tokiya não era mais capaz de controlar seu corpo.
- T-Tokiya... – Gemeu Otoya. Várias sensações diferentes percorriam seu corpo. – Isso! – Gritava quando o moreno acertava novamente aquele ponto dentro de si.
Já Tokiya estava se segurando para não atingir o orgasmo. Queria dar o máximo de prazer para Otoya, então diminuiu bruscamente.
- Não... continua... – Pediu o ruivo.
- Se continuar daquele jeito, eu vou gozar.
- Pode gozar. – O ruivo olhou por cima do ombro suplicante. – Vamos, Tokiya...
- Droga... – Exclamou, se sentindo derrotado. – Quando foi que eu consegui negar um pedido seu?
Ele o puxou para si, colando seus corpos e unindo seus lábios em um beijo carnal. Quando se separaram, Otoya inclinou o corpo, ficando de quatro enquanto se segurava na cabeceira da cama.
O Ichinose recomeçou as estocadas fortes. Otoya jogou a cabeça para trás, gemendo alto, sentindo seu corpo começar a tremer. Ele podia gozar a qualquer momento.
- Tokiya... não consigo mais...
Então o orgasmo veio, forte, fazendo o corpo de Otoya ter espasmos involuntários. Ele gritou, sentindo que Tokiya também atingira o clímax. Seu líquido o preenchia, quente, o fruto do seu prazer máximo.
Eles permaneceram conectados por mais algum tempo, até que o orgasmo se dissipasse completamente. Então, Tokiya saiu de dentro dele e caiu de costas na cama, ofegante. Nesse momento, a energia retornou e a luz acendeu. O olhar dos dois amantes se encontrou, Tokiya deitado e Otoya sentado sobre as pernas, os braços apoiados na cama.
Casualmente, o olhar de Tokiya desceu e pousou no braço de Otoya. Ele pode ver várias cicatrizes nítidas, uma abaixo da outra, cobrindo toda a extensão de seu antebraço. Ele se apoiou nos cotovelos, assustado, e encarou Otoya. O ruivo encolheu os braços, escondendo aquilo que o envergonhava. Ele desviou o olhar.
- Otoya-
- Amanhã. – Cortou-o.
- Mas-
- Por favor! – Tokiya podia ver a dor em seu olhar. Não era um assunto fácil para o Ittoki, se ele não queria falar nisso agora, Tokiya não iria forçá-lo.
- Tudo bem. Mas amanhã eu quero ouvir tudo.
Ele se sentou na cama e lhe deu um selinho.
- Ok?
- Ok. – Concordou o ruivo. – Eu vou tomar um banho.
Quando ele retornou, Tokiya havia trocado o lençol e já o esperava deitado. Ao vê-lo, Tokiya lhe deu o seu sorriso mais caloroso e abriu os braços para recebê-lo. Ao se deitar em seu peito, Otoya se sentiu seguro, amado, e seu coração se aqueceu. Ele sentiu que poderia falar com Tokiya sobre aquele assunto que era um tabu para ele, e de alguma forma, sabia que ele não o julgaria.
- Tokiya?
- Hum?
- Eu te amo.
Tokiya depositou um beijo em sua testa.
- Eu também.



Notas finais:

Eu sei que o final não ficou lá essas coisas, acabei de finalizar o capítulo e queria postar hoje ainda. Me perdoem.
Se você gostou, deixe um comentário para que eu saiba XD

Beijos de nutella da Hime <3

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